terça-feira, 11 de agosto de 2009

Estudo e Analise das Capacidades Físicas

As capacidades físicas indispensáveis para a execução das ações motoras compreendem essencialmente dois tipos: as quantitativas (condicionais) e as qualitativas (coordenativas).
As capacidades condicionais são essencialmente determinadas pelos mecanismos que conduzem à obtenção e transformação de energia, isto é, os processos metabólicos nos músculos e nos sistemas orgânicos. Portanto nelas predomina a condição física. São essencialmente determinadas pelas componentes energéticas, por isso têm caráter quantitativo. São: resistência e força.
Nas capacidades coordenativas predomina a coordenação. Relacionam-se com os processos de controlo do movimento dependentes do sistema nervoso central, por isso têm caráter qualitativo. Estas capacidades “permitem que o atleta consiga dominar de forma segura e econômica as ações motoras, tanto em situações previsíveis (estereótipos), como imprevisíveis (adaptação). É através destas capacidades que o atleta consegue aprender relativamente depressa gestos motores, bem como regular eficazmente a tensão muscular no tempo e no espaço”. As suas formas de manifestação são: equilíbrio, observação, controlo motor, reação motora, antecipação, expressão motora, representação, ritmo, diferenciação cinestésica, coordenação e orientação espacial.
Há ainda quem considere que algumas capacidades dependem das duas dimensões e por isso as designam por coordenativo/condicionais: velocidade, flexibilidade e destreza.
Ao grau de desenvolvimento das capacidades motoras chama-se condição física. Esta pode ser melhorada e desenvolvida através do treino ou preparação física. O seu desenvolvimento é a garantia para a aprendizagem e para a realização eficaz dos movimentos desportivos, pois intervém em maior ou menor grau em todas as atividades físicas, individuais ou coletivas.
1. Resistência
É uma capacidade revelada pelo sistema muscular que permite realizar esforços de longa duração, resistindo à fadiga e permitindo uma rápida recuperação depois dos esforços, evitando a perda de eficácia motora. É pela adaptação do sistema cardiopulmonar que se torna possível vencer a fadiga. Esta pode ser considerada um limite para lá do qual o rendimento decresce ou pára totalmente.
Uma vez que o esforço leva à fadiga, devem distinguir-se variantes destes dois conceitos.
Quanto ao esforço:
· Esforço absoluto Þ é um esforço que, por ser muito intenso, não possibilita a recuperação no seu decurso. Um exemplo prático são as provas de velocidade.
· Esforço relativo Þ é um esforço com uma intensidade moderada e por isso é possível a recuperação relativa durante a sua realização. Por exemplo, nas provas de distância.
Quanto à fadiga:
· Fadiga local Þ é aquela que se revela somente nos músculos que foram utilizados no esforço efetuado, tornando-os incapazes de realizar eficazmente uma ação, como acontece com as cãibras.
· Fadiga geral Þ esta variante revela-se nos planos muscular e cardiopulmonar, sendo mais ou menos proporcional ao grau de intensidade do esforço realizado. Pode manifestar-se pelo aparecimento de tonturas, aceleração e arritmia das freqüências cardíacas e respiratórias, transpiração, etc. Origina-se na incapacidade orgânica em satisfazer as necessidades energéticas ao nível muscular, quando extremamente solicitado.
Treino da resistência
É fundamental desenvolver a resistência geral para se poder atingir um bom nível na resistência específica de um desporto, qualquer que ele seja. Se a resistência geral for baixa, o treino não será muito eficaz, pois o aparecimento precoce da fadiga impossibilitará a sua intensidade.
Para desenvolver esta capacidade convém praticar repetidamente exercícios de média intensidade ou séries de corridas relativamente curtas, rápidas ou, em certos casos, com variações de velocidade.
2.Força

Força é energia que permite deslocar objetos e vencer resistências externas, ou mesmo as do nosso próprio corpo, independentemente do fator tempo. Permite, assim, superar ou contrariar as resistências ao movimento, com base em forças internas (produzidas por contração muscular, ações dos tendões e ligamentos) e forças externas (gravidade, atrito, oposição).
Para além de ser necessária para o movimento, a força aplica-se também:
§ na “resistência muscular”, que mais não é do que o uso prolongado desta capacidade;
§ na “resistência à fadiga”, que depende fundamentalmente da quantidade de sangue bombeado pelo coração em cada contração sistólica;
§ na “velocidade”, que não seria possível sem níveis de força adequados.

A força tem como variantes:
Þ a força máxima
Þ a força rápida ou potência[1]
Þ a força resistente.

Pode ainda ser:
s geral, quando é visada a potenciação de todos os grupos musculares;
s específica, se pretendemos desenvolver um ou vários grupos musculares característicos dos gestos desportivos de uma determinada modalidade.

Treino da força

Para que esta capacidade seja corretamente treinada é preciso saber que a fibra muscular se contrai de acordo com a «lei do tudo ou nada», isto é, ou não se contrai, ou, quando o faz, é sempre no limite máximo das suas possibilidades. Por isso o treino desta faculdade neuromuscular tem de visar a estimulação dos grupos musculares perto dos seus limites máximos e tendo em consideração os seguintes princípios:
v esforços de curta duração com cargas elevadas;
v intervalos prolongados (recuperação total);
v número pequeno de repetições.

Este é o método que permite estimular o maior número de unidades motoras (sendo cada uma destas o conjunto que integra um determinado número de fibras musculares e o neurônio sobre o qual este atua) e, consequentemente, um maior desenvolvimento da força.

No treino da força utilizam-se três tipos de cargas:
¡ carga máxima – onde só se consegue uma ou duas repetições e todas as fibras musculares são solicitadas, sendo o fator preponderante a resistência máxima a vencer;
¡ carga submáxima com muitas repetições – procura-se o nível de resistência de força (quando as fibras utilizadas se fatigam são substituídas por outras, até que todas estejam cansadas), sendo os fatores preponderantes o volume e a duração;
¡ carga submáxima com velocidade máxima – a velocidade vai solicitar o trabalho de todas as fibras, sendo o fator preponderante a velocidade de execução do movimento.

O trabalho muscular pode revestir essencialmente duas formas:
F trabalho isométrico (ou contração estática) ? trabalho muscular sem produção de movimento: o músculo não altera o comprimento e o trabalho produzido é nulo, a resistência e a contração são iguais, portanto não há movimento;
F trabalho isotônico (ou contração dinâmica) ? existe movimento durante a produção de energia muscular. É o mais vulgar e pode apresentar dois tipos distintos de contração:
ª concêntrica – quando o esforço muscular vence a resistência. Por exemplo, quando, em suspensão numa barra, se faz flexão de braços;
ª excêntrica – quando a resistência vence a força muscular que empregou

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